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I Pedro 2:11
Amados, peço-vos, como a peregrinos e forasteiros, que vos abstenhais das concupiscências carnais que combatem contra a alma;
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2004-2008
Memória de Uma Emigração
Flagra de judeus nas antigas colônias do Barão Hirsch: no RS
Peregrinos e Forasteiros
Muitas vezes uso o ônibus quando vou ao centro da cidade para resolver alguma coisa. O caminho sede da missão até a parada é curto.
Até há pouco tempo os passageiros idosos ficavam nas primeiras fileiras de bancos, logo atrás do motorista. Seguindo as regras, eu mostrava a cédula de identidade para provar ao cobrador que faço parte das pessoas que, pela idade, têm o direito de andar de ônibus gratuitamente. Quando apresentava minha carteira de estrangeiro, chamava a atenção porque ela é diferente das outras, não é verde, é de cor bege. Recentemente todos os usuários com mais de 60 anos receberam uma nova carteirinha, que agora é igual para todos, brasileiros e estrangeiros.
Essa experiência da vida cotidiana tornou-se para mim um exemplo de nossa situação como cristãos, como discípulos de Jesus neste mundo.
O apóstolo Pedro, em sua Primeira Carta, nos chama de "peregrinos e Forasteiros" ( I Pedro 2:11). "Forasteiros, i.e., estrangeiros residentes, exilados. A palavra aplica-se a pessoas que se assentam em determinada região sem contudo, fazer parte dela o seu lugar de residência permanente.
Os leitores, cuja a verdadeira cidadania estava nos céus, são considerados moradores temporários das provÍncias da Ásia Menor mencionadas neste versículo. Mas é justamente nesse ponto que começam os nossos problemas. Israel, em sua época, já tentava ser igual a todos os povos, contrariando sua vocação de ser povo de Deus, separados dos povos pagãos. Quando pediram: "constitui-nos, pois, agora, um rei sobre nós, para que nos governe, como o têm todas as nações" (1 Sm 8.5), demonstravam que queriam ser como todos os outros povos, sem se destacar e sem chamar atenção.
Não é este o nosso problema? Nossa postura natural? Não queremos chamar a ateção nem nos destacar de forma negativa correndo o risco de sermos zombados! Os atuais métodos de crescimento de igrejas vêm ao encontro desse desejo. Esse movimento propaga que o mais importante é a pessoa sentir-se bem na igreja, despertando nela o desejo de voltar outra vez. Essa estratégia é bem conhecida dos métodos de marketing usados pelo mundo. Mas o Senhor Jesus e os apóstolos certamente nã eram "amigos do mundo". O Mestre enviou Seus discípulos com uma tarefa específica e bem delineada: deveriam ser ovelhas entre lobos, ser luz do mundo que alumia a escuridão, ser o sal da terra que impede o apodrecimento generalizado, ser testemunhas dispostas a carregar as consequências de suas declarações. Até hoje nada mudou nas ordens de Jesus, ou será que mudou?
Mas diante de todos esses desafios, será que não somos tomados po um temor meio secreto:"Como posso concretizar esses alvos do Senhor para a minha vida? Já não falhei demais, muitas e muitas vezes? "sim! Quando olhamos para nós mesmos, a sentença é rápida: isso é impossível, totalmente impossível para mim! Mas se admitirmos essa dura realidade de forma sincera e franca, então estaremos prontos para experimentar a providência divina. Como foi possível aqueles dicípulos tão assustados ( que se trancaram dentro de casa por medo dos judeus) se tornarem testemunhas de Jesus tão destemidas? Primeiro, porque seu mestre havia ressuscitado dos mortos vencendo o pecado, o Diabo, a morte e o mundo, e também porque em Pentecostes foram enchidos pelo Espírito Santo!
Hoje igualmente se faz necessário que sejamos reconhecidos como peregrinos e forasteiros, como estrangeiros no mundo. Precisa haver uma diferênciação entre os salvos e os não-salvos. Não apenas exteriormente, pois seguir a Jesus não é vestir um uniforme ou adotar certa forma de comportamento. A diferença básica deve ser interior, na nossa postura, em nossas atitudes e na orientação que damos à nossa vida. Somos chamados a abençoar, a perdoar, a amar, não porque os outros mereçam, mas porque somos do Senhor. É dessa forma que se mostra o tipo de árvore que somos. Virtudes como a humildade, a mansidão, a fidelidade, a confiança, a diligência e a dedicação, o amor e a disposição ao sacrifício é o que o Senhor deseja produzir através dos que são dEle, para que o mundo reconheça que somos discípulos Seus!
Unidos de Copração,
Dieter Steiger
Extraído da Revista Chamada da meia noite - edição de maio de 2008